Canadá – dia #2 – Moustache


A sexta-feira começou cheia de expectativa. Afinal, seria o primeiro contato com meu orientador na Universidade e, principalmente, pela chegada do nosso Schnauzer, Moustache, depois de horas e horas de viagem.

Pela manhã, saímos eu e Anisia pelas redondezas do hotel, no bairro de Jasper (estou devendo um resumão sobre a cidade, eu sei), na margem norte do rio que corta a cidade, para as primeiras sondagens sobre apartamentos/casas para alugar. Isso tem me deixado preocupado, pois, apesar de prático, morar em hotel não dá aquela liberdade de viver na sua casa, mesma que alugada. E tem sido um aprendizado estar hospedado em hotel com um cachorro!!

As andanças pelas ruas geladas do bairro mostraram que não é tão legal assim andar em calçadas de gelo! Nem pela neve, que acumulada mais para os quintais das casas/prédios. Mas a água que surge pela neve derretida parece que fica empoçada nas calçadas. Quando a temperatura cai de novo, esse filete de água congela e forma uma lâmina de gelo justamente por onde as pessoas deveriam passar. Nós não chegamos a cair em nenhum momento, mas tomamos muitos sustos e escorregões. Sem dúvida, andar na neve é melhor que andar no gelo.

Outra coisa preocupante foi saber que este é um período difícil de se encontrar lugar para alugar. A maioria das respostas que ouvimos foi que só devem surgir vagas a partir de abril. E os poucos lugares que tinham vagas imediatas, não aceitavam pets! Alguns nem crianças! Se um casal que mora nesses locais engravidar, tem que sair de lá? Ah se fosse no Brasil!!!

Com o fim da manhã, fomos para a Universidade de Alberta, para a primeira conversa com meu orientador. Primeira entre aspas, já que venho conversando com ele sobre o Doutorado há uns 2 anos. Apresentei A Anisia, ele me falou dos esquemas do PhD, o que espera de mim, como é o grupo, essas coisas todas. E deixou bem claro que antes de mais nada, eu tenho que me estabelecer primeiro, resolver todas as pendências, antes de pensar na pesquisa acadêmica.

Depois da conversa, fui levado até a secretária do grupo, que me levou até minha futura sala, me mostrou minha mesa e me apresentou aos meus novos colegas, alunos de mestrado e doutorado. É um grupo de 16 pessoas, entre canadenses, americanos, chineses, iranianos, gente do Leste Europeu e 2 brasileiros, mineiros e atleticanos! Todos se mostraram muito simpáticos em me ajudar nessa chegada! E pegar as impressões de quem já passou pelo que vou passar é sempre interessante!

O fim do dia foi marcado pela chegada de Moustache. Foi uma verdadeira saga. Pegamos 2 ônibus até o aeroporto, fomos ao setor de desembarque, disseram que devíamos procurar alguém da United (companhia que transportou o animal), depois fomos ao setor de informações e descobrimos que a retirada seria fora do aeroporto, em uma empresa terceirizada, responsável pelo despacho que cargas vivas.

O setor era um pouco afastado do aeroporto e não daria para ir a pé. Sem carro, a saída foi pegar um táxi. Não sei se demos azar os os taxistas de Edmonton são pilantras (taxista e pilantra sempre estão na mesma frase, em qualquer lugar do mundo). Ele disse que cobraria 18 dólares canadenses. Fazer o quê? Chegamos ao local e ele ficou nos esperando. Íamos negociar com ele a volta ao hotel, já com Moustache.

Mas quem disse que as coisas são fácies nessa vida? Para retirar nosso cachorro, precisaríamos ter o número do protocolo do transporte. Esse número foi passado por email, mas não encontrávamos de jeito nenhum. Sem sinal de wifi nem celular, era impossível ter o tal número. E a simpática moça gorda que nos atendeu disse que sem o número não podíamos nem ver o animal! Isso porque deviam ter muitos cachorros vindos do Brasil naquele momento, além de estar documentado o número do passaporte da pessoal que iria retirar o animal, no caso a Anisia.

A solução foi voltar ao aeroporto, onde havia wifi grátis, ligar via Skype para a moça no RJ que cuidou de Moustache e o levou ao Galeão e pedir o número do protocolo. Com o taxista nos esperando, foi fácil, mas não barato. Preço final da corrida: CA$ 41,00!!! Ligamos e pegamos o tal número (quando já era quase meia-noite no Brasil) e tinhamos um problema: como voltar para o setor de carga? Outro taxi para nos extorquir ou alugar um carro? Tentamos a primeira opção mas os pilantras taxistas indianos queriam CA$ 77,00 pelo trajeto! Depois da terceira tentativa, com o mesmo valor, alugamos um carro por CA$ 67,00 a diária! Chegando lá, a simpática atendente gorda já estava com o envelope dos documentos de Moustache em mãos. Disse que não podia liberar antes sem o tal número. Procedimento padrão! Bom, agora pegaríamos Moustache, né? Claro que não!

Por mais surreal que fosse, ela disse que na documentação faltava um carimbo. Tínhamos que voltar ao aeroporto, pedir o carimbo no documento e retornar ao local que estávamos!!!! Nessas horas a falta de domínio do idioma deixa tudo mais difícil! Vc se irrita e começa a xingar mentalmente em português, não sabe se entendeu direito o que a vaca gorda falou, por que ela não disse logo na primeira ida que faltava um carimbo, poupando nosso tempo? Sorte que agora tinhamos carro e fomos de volta ao aeroporto.

Fácil, não é? Pedimos o carimbo que faltava (que devia ser muito importante, claro), mas os agentes disseram que só carimbariam após vistoriarem o animal, no setor de cargas!!!! Sabe aqueles filmes suecos que vc saí por uma porta e volta para o mesmo lugar? Então! Mais de 40 minutos esperando o CSI canadense vistoriar Moustache, que já devia estar a mais de 24 horas dentro do case de transporte! Por que não vistoriaram na chegada do voo? Por que não vistoriaram e já carimbaram o papel? Por acaso o Canadá foi colonizado pelos portugueses? Ah, detalhe: pela “vistoria”, pagamos a bagatela de CA$ 31,50!

Voltamos pela 3a vez ao setor de cargas e a gorda lazarenta enfim liberou Moustache, sem antes nos cobrar mais CA$ 45,00 de taxas! Ele demorou a sair do case, estava sem entender nada, mas quando nos viu, foi aquela festa! Sei que deve ter pensado: “Vcs cortam minhas bolas fora e agora me enfiam numa caixa por mais de um dia inteiro! Tão de sacanagem, né?”

Só para ferrar com a maldita atendente, que vai trabalhar num subemprego o resto da vida, Moustache ainda deu uma voltinha no estacionamento, se aliviando após a viagem, marcando seu território em terras canadenses!

Morrendo de raiva pela burrocracia, mas felizes e aliviados com a chegada de Moustache, retornamos ao hotel e tivemos que registrar o bicho! Ele estranhou bastante o apartamento, se coçou nervosamente mas com o passar das horas, foi relaxando. E dormiu tranquilamente à noite. Sem saber o gelo que o aguardava no dia seguinte!

Primeiro passeio e primeiro contato com o clima de Edmonton
Primeiro passeio e primeiro contato com o clima de Edmonton
Anúncios

Um comentário sobre “Canadá – dia #2 – Moustache

  1. Po, burocracia até aí? Ninguém merece. E a vaca gorda só podia estar tirando uma com você hahahaha. Que bom que ele chegou bem, mas a cara dele nas fotos foi de que não gostou nada da novidade rs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s