A Copa do Mundo é nossa?


Começa mais uma Copa do Mundo de futebol. O evento que para o planeta a cada 4 anos, pela primeira vez será no continente africano, na África do Sul.

Mesmo os que não acompanham o futebol param para assistir aos jogos, principalmente os do Brasil. Nessa Copa, como em muitas outras, o horário de trabalho convencional será alterado por causa dos jogos. O expediente de muitos terminará mais cedo nos dias dos jogos das seleção brasileira. As datas e horários estão mapeadas há tempos. Dia 15, terça-feira, às 15:30, contra a Coréia do Norte. Trabalho só até 13:30 – 14:00. Segundo jogo contra a Costa do Marfim, dia 20, domingo (pois é), 15:30. E finalizando a primeira fase, da 25, sexta-feira, 11:00 contra Portugal. Esse não tem jeito, a solução é arrumar uma TV no trabalho mesmo.

A Copa do Mundo é um evento tão importante que serve de marcador temporal para as nossas vidas. Pelo menos na minha. Alguma coisa que aconteceu no passado é relembrado sempre tendo uma Copa como referência. A primeira que acompanhei com alguma consciência foi a de 82, na Espanha, quando tinha 6 anos. Lembro do álbum de figurinha do chiclete Ping Pong. Lembro principalmente do Brasil 2 x 3 Itália, a tragédia do Sarriá, quando meu tio, italiano, vinha toda hora para a sala ver o resultado do jogo. Minha avó, italiana também, sempre dizia que a Itália perderia (minha mãe também era assim). Naquele dia, 5 de julho, a Itália ganhou, como ganhou também a Copa. Daquela Copa não lembro muito da final. O jogo que tenho guardado na memória foi Alemanha x França, na semifinal, que não acabava nunca. Empate no tempo normal, prorrogação e penalties.

Em 86, já morando em outro bairro, a festa foi diferente. Outros amigos, rua pintada e bandeirinha nas grades e portões. A única que acertou que o Brasil perderia para a França foi minha avó italiana. Pena que ela não chegou a acompanhar a próxima Copa, em 90, na terra dela.

A Copa da Itália, para mim, foi a mais sem graça que eu me lembro. A fraca campanha do Brasil fez com que talvez as imagens na minha mente ficassem enevoadas. Quando me lembro dos jogos daquela Copa, as imagens que surgem são acinzentadas, sem brilho, bem diferentes das Copas anteriores.  O jogo do Brasil contra a Argentina, nas oitavas, foi um dos maiores massacres que eu assisti. O Brasil matou os hermanos mas, no final, brilhou a estrela de Maradona, que levou toda a defesa brasileira e achou Caniggia, que fez o gol da vitória.

Se a Copa de 90 foi acinzentada, a de 94, nos EUA foi diferente. Já estava na faculdade e por ser um período de férias (ou de greve, não lembro), assisti a muitos jogos. Foi novamente uma Copa com muita cor, talvez pelo Sol escaldante do meio-dia, horário da maioria dos jogos. Foi a última Copa que assisti com meu pai e a primeira que vi o Brasil ganhar. Toda aquela frustação de saber que o Brasil era tricampeão mas não ganhava mais nada acabou naquela vitória nos penalties contra a Itália. A emoção só não foi maior porque o Palmeiras havia sido campeão um ano antes, pela primeira vez depois de 17 anos. Para um moleque de 18, não ganhar nada no futebol era triste, muito triste. Talvez por isso, hoje eu tenha me tornado tão fanático pelo esporte.

Em 98, já sem meu pai, a seleção foi chegando, sem encantar. Boa parte dos jogos assisti no interior de São Paulo, em Cajati, já que estava estagiando em mineração. Eu lembro bem do jogo contra a Holanda, na semifinal, que ganhamos nos penalties. A derrota na final foi frustante, mesmo depois de saber da famosa convulsão do Ronaldo. Mas a França, pelo que jogou, merecia o título.

2002 foi uma Copa incomum pelo horário dos jogos. Sempre de madrugada ou no começo do dia. Por estar na pós-graduação, podia fazer meu horário. Mas me lembro de acordar de madrugada e assistir a Brasil 2 x 1 Inglaterra, aquele do gol do Ronaldinho Gaúcho. E de gritar feito louco a cada gol do Ronaldo, na final contra a Alemanha. Gritos meus e do meu irmão, com minha mãe na cozinha, já que ela dizia que estava torcendo para a Alemanha. Mas no fundo, acho que queria que o Brasil ganhasse.

A última Copa, em 2006, foi especial, apesar da decepção do Brasil. Foi a última Copa com a minha mãe. E a Itália dela foi a campeã! Na final, contra a França, convidei ela e meu irmão para assistirem ao jogo na minha casa. Na hora dos penalties, ela não se continha de nervosismo e sempre repetia que a Itália iria perder. Não perdeu e minha mãe não acreditou quando o Grosso acertou a última cobrança e deu a vitória aos italianos. Acho que valeu a pena chamá-la para ver ao jogo comigo. Acho que ela ficou feliz.

Ah, sem contar que essa Copa foi a primeira depois de casado. Embora meu amor seja daquelas que não acompanha nem aos jogos do Brasil.

Como eu escrevi acima, as Copas servem para pontuar as nossas vidas. Cada uma tem uma recordação especial e, espero, essa não será diferente.

Rumo ao Hexa, Brasil (embora eu ache que ele só virá em 2014).

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