Palmeiras x São Paulo


Que jogo, quanta emoção!

Sabe a criança, que fica a semana toda esperando chegar o dia de ganhar um presente? Era essa a sensação. Havia comprado o ingresso duas semanas antes. E o dia do jogo não chegava! Nem o joguinho chato da seleção do Dunga serviu para conter a ansiedade. Mas o tal dia chegou.

Aqui vale dois parênteses. Embora o principal rival do Palmeiras seja o Corinthians, acho que nenhum time desperta tanta raiva, tanto ódio dos palmeirenses que o São Paulo Futebol Clube (SPFW). Seja pela arrogância dos dirigentes, que se dizem de primeiro mundo, seja pelo discurso dos seus torcedores, que vomitam aos quatro cantos os títulos conquistados nos últimos anos (últimos mesmo – entre 1994 e 2005, o SPFW ganhou uns 3 paulistas e olhe lá).

Ninguém lembra que o Kaká foi quase expulso do clube, vendido a preço de banana, que o Luis Fabiano foi chamado de pipoqueiro pela sua torcida (que já se vestiu de amarelo em jogos do time bambi) e que o caráter-mor, Rogério Ceni apresentou à diretoria uma falsa proposta de um time inglês, só para pressionar o clube a lhe dar aumento.

Quase todos os Palmeiras x São Paulo desse ano (5 com o de ontem) foram marcados pela disputas dentro e fora do campo. O primeiro jogo no Paulista, 4 x 1 para o Verdão, contou com 3 penalidades a favor do Palmeiras e a chiadeira por parte das meninas. O segundo jogo, já na semifinal do mesmo Paulista, foi marcado pelo gol de manchete do Imperador Adriano. Mas se é a favor do Tricolor, tudo bem. O jogo de volta, na casa do Palmeiras, foi marcado pelo frango do goleiro de hóquei (que se ajoelha em todo lance), pelo gás no vestiário das moças e pelo Mago Valdívia que, ao marcar o segundo gol do jogo, mandou o goleirinho narigudo calar a boca. Apenas o jogo do primeiro turno do Brasileiro não apresenta fatos dignos de nota.

Feitos os parênteses, volto ao tema do jogo de ontem.

Domingo, como sempre num jogo decisivo, o estádio estava lotado. Ao contrário do jogo no Paulista, o clima de tensão no ar era menor. Mesmo assim, ninguém parava um minuto de cantar, pular e fazer barulho. Jovens, idosos, moças e rapazes, todos cantavam antes do jogo, pressentindo o que estava por vir. Logo no começo, já deu para perceber como seria o jogo. Falta para o Palmeiras no campo de ataque que o juíz não deu! No contra-ataque, penâlti indiscutível para o São Paulo. Mesmo com o estádio inteiro vaiando, Bambi Ceni, frio e calculista marca 1 x 0. A casa começava a cair.

Na saída de bola, o Palmeiras quis recomeçar o jogo rapidamente, já que o “goleiro-artilheiro” ainda estava retocando a maquiagem e se encontrava fora do gol. Os jogadores do São Paulo não deixaram que o jogo reiniciasse, começando um empurra-empurra. O árbitro (criticado a semana toda pelos tricolinos) expulsa Diego Sousa do Palmeiras e Borges do SPFW. Na minha opinião, não era para tanto. Prejuízo para o Palmeiras, que perdeu um homem de criação e que estava atrás no placar. Ao São Paulo, ganhando o jogo, era só se defender, o que eles sabem fazer muito bem.

Luxemburgo desmontou o esquema com 3 zagueiros e colocou um novo armador, Evandro. O Palmeiras passa a pressionar o adversário mas o juíz parece que apitava só para um lado. Nas faltas a favor do Palmeiras, quando marcadas, os jogadores tricolores recebiam conselhos para maneirar. Faltas contra o Palmeiras eram punidas com cartões. Enfim, parece que a pressão da diretoria bambina durante a semana fez efeito.

Mesmo assim, o time verde não se entrega. Chuta um, duas, três vezes ao gol e o sósia do Luciano Huck começa a se destacar. Alex Mineiro dá uma cabeçada com endereço certo. Só que a bola bate no travessão, em cima da linha de gol e vai para as mãos do goleiro bambi. O estádio inteiro pressiona o juíz, mas a bola realmente não entrou (só fui confirmar isso em casa, vendo o replay – no estádio não deu para ver nada).

Pensei comigo mesmo: esse filme eu já vi várias vezes. O Palmeiras atacando, com total domínio do jogo e a bola não entra! Só que, no final do primeiro tempo, Léo Lima perde uma bola que não poderia ser perdida e o tal de Dagoberto faz 2 x 0 para as meninas. A casa desmoronou de vez! Foi uma ducha de água fria no time, no técnico, na torcida. O mais incrível era que o SPFW jogava como time pequeno, se defendendo e saindo nos contra-ataques com chutões para a frente, tanto do goleiro (que sabe repor a bola como ninguém) como pelo Jorge Wagner.

Segundo tempo era tudo ou nada. Parecia que seria nada, pois o Luxa colocou a foca amestrada do Denilson. Aquele que é bom para aparecer em programa de TV e cantar as apresentadoras. Mas dentro de campo, na hora da decisão, se esconde de tudo e de todos.

Faltando quinze minutos para acabar o jogo, o estádio já não cantava mais. Só se ouvia algumas meninas cantando Village People na torcida adversária. Pensei que o jogo havia acabado. O Palmeiras não se acertava e estava se entregando.

Mas tudo mudou quando o goleiro deles rebateu mais uma bola de manchete, depois de se ajoelhar. Denilson pega a bola e chama o zagueiro cintura dura (André Dias) para dançar. Deixa o rapaz caído na área e cruza rasteiro para Kléber, o Gladiador entrar de carrinho e fazer renascer a esperança do torcedor. O estádio incendiou. Mas alegria de pobre dura pouco. Começou uma outra confusão, pelo mesmo motivo do primeiro tempo. O Palmeiras querendo pegar a bola e reiniciar o jogo rapidamente e os bambis atrasando. O juíz deu o gol mas não correu para o meio de campo. Todo o estádio pensou que o gol tivesse sido anulado. Mas era ruindade do juíz mesmo. Nova saída de bola e o estádio não parava mais. Todo mundo pulando e cantando. Ajoelha Ceni na sua jogada característica. Ao fundo, André Dias procura um melhor ângulo para ver a jogada de Denilson e o gol de Kléber.

Ceni também quer ver o gol do Verdão.

Dois minutos depois do primeiro gol do Palmeiras, falta na entrada da área para o Verdão cobrar. Marcos vai até o meio-campo e cochicha alguma coisa ao Roque Junior. Leandro cobra a falta, a bola desvia no Dagoberto e engana Rogério Ceni. Puta que pariu! Todo mundo se abraça, pula, grita, xinga, não sei dizer o que mais. Na comemoração, tenho certeza que vi alguns torcedores chorando! Só me lembro de uma sensação assim no estádio em 2005, quando o Palmeiras virou um jogo contra o Fluminense, que valeu a vaga para a Libertadores.

Bom, depois de tudo isso, ainda faltavam 10 minutos para acabar o jogo. O Palmeiras poderia ir para cima e tentar fazer o terceiro. Mas acho que ninguém tinha mais força para nada. O time recuou e passou a se defender. O SPFW começou a pressionar e quase marca, em dois ou três escanteios, fora o Hernandes que perdeu um gol cara a cara com o Marcos.

Final de jogo e a sensação vitória, dadas as circunstâncias da partida.Sair de 2 x 0 contra, com o juíz apitando a favor do adversário e conseguir empatar o jogo não acontece todo dia. Talvez até aconteça, mas contra um adversário considerado inimigo, o gostinho é maior.

No final das contas, o São Paulo continua atrás do Palmeiras na tabela. O líder Grêmio conseguiu perder da Portuguesa e deixou tudo embolado. Até o Flamengo do PipoCaio Junior voltou à briga pelo título. Cinco times separados por apenas 4 pontos brigam nas últimas 8 rodadas para decidir o Campeão Brasileiro de 2008.

Ainda aposto (e torço) pelo Palmeiras. Mas depois de um jogo desses, ninguém garante mais nada!

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